"O silêncio na história e na política é do mesmo tipo. É indicativo de alguma desgraça e, frequentemente, de um crime. É um instrumento tão político quanto o som de armas se entrechocando ou um discurso num comício. O silêncio é indispensável a tiranos e opressores, que se esforçam para que seus atos sejam feitos pelas caladas. [...]
Seria interessante se alguém pesquisasse até que ponto os sistemas mundiais de comunicação trabalham a serviço da informação e até que ponto a serviço do silêncio e do amordaçamento. Há mais do que é dito ou do que não é dito? É possível calcular o número de pessoas que trabalham no mundo da propaganda. E se calculássemos o número dos que se dedicam ao ramo da manutenção do silêncio? Qual dos dois seria maior?"
Ryszard Kapuściński (1932-2007) jornalista e escritor polonês. O "maior repórter do mundo", segundo alguns. Este trecho foi retirado de A guerra do futebol: e outros relatos. Companhia das Letras, 2008.
Foda-se sempre foi mais ou menos como uma filosofia de vida. Algo como: de onde vim, para onde vou? Resposta: "foda-se!" Tenho que enfrentar o mundo, a sociedade e ainda uma banca com cinco doutores? Penso: "foda-se!" E daí vou indo.
Banalidades, aleatoriedades, inutilidades, letras de música que não viraram música e alguma poesia
sábado, 24 de agosto de 2013
domingo, 18 de agosto de 2013
segunda-feira, 12 de agosto de 2013
quinta-feira, 25 de julho de 2013
[Uma semana com José Gonçalves]
funcionário, paletó e gravata, sapatos engrax(ç)ados.
Segunda-feira:
Eu me levanto às sete. Escovo os dentes, lavo o rosto e faço a barba. Átila trouxe um balde de plástico, toda noite enchemos de água no bar. A privada do depósito está sem água. Vou ao bar tomar média, pão com manteiga. Ando dois quarteirões, espero o ônibus. Desço no Largo. Subo ao escritório e bato o ponto, 8:30 exato. Vou à minha mesa, tiro a capa da máquina, abro as gavetas, começo a trabalhar. Os rostos no elevador, no escritório, na rua, são os mesmos, trabalho sozinho, com um milhão de espelhos.
Terça-feira:
Eu me levanto às sete horas. Escovo os dentes, lavo o rosto e faço a barba. Vou ao bar tomar café, média, pão com manteiga. Ando dois quarteirões, espero o ônibus. Desço no Largo. Subo ao escritório e bato o ponto, 8:30 exato. Vou à minha mesa, tiro a capa da máquina, abro as gavetas, pego os cartões e começo a trabalhar.
Quarta-feira:
Eu me levanto. Ando dois quarteirões. Subo ao escritório. Tiro a capa da máquina. Começo a trabalhar.
Quinta-feira:
Eu me levanto, ando, entro no escritório, trabalho.
Sexta-feira:
Levanto, ando, entro, trabalho, saio, durmo.
Sábado:
Todo sábado eu pego uma puta.
[José Gonçalves é o personagem principal do romance Zero, do qual roubei este trecho, de Ignácio de Loyola Brandão. A edição que tenho é a sétima, publicada em 1980,autografada pelo próprio (o autor, não o personagem)]
Segunda-feira:
Eu me levanto às sete. Escovo os dentes, lavo o rosto e faço a barba. Átila trouxe um balde de plástico, toda noite enchemos de água no bar. A privada do depósito está sem água. Vou ao bar tomar média, pão com manteiga. Ando dois quarteirões, espero o ônibus. Desço no Largo. Subo ao escritório e bato o ponto, 8:30 exato. Vou à minha mesa, tiro a capa da máquina, abro as gavetas, começo a trabalhar. Os rostos no elevador, no escritório, na rua, são os mesmos, trabalho sozinho, com um milhão de espelhos.
Terça-feira:
Eu me levanto às sete horas. Escovo os dentes, lavo o rosto e faço a barba. Vou ao bar tomar café, média, pão com manteiga. Ando dois quarteirões, espero o ônibus. Desço no Largo. Subo ao escritório e bato o ponto, 8:30 exato. Vou à minha mesa, tiro a capa da máquina, abro as gavetas, pego os cartões e começo a trabalhar.
Quarta-feira:
Eu me levanto. Ando dois quarteirões. Subo ao escritório. Tiro a capa da máquina. Começo a trabalhar.
Quinta-feira:
Eu me levanto, ando, entro no escritório, trabalho.
Sexta-feira:
Levanto, ando, entro, trabalho, saio, durmo.
Sábado:
Todo sábado eu pego uma puta.
[José Gonçalves é o personagem principal do romance Zero, do qual roubei este trecho, de Ignácio de Loyola Brandão. A edição que tenho é a sétima, publicada em 1980,autografada pelo próprio (o autor, não o personagem)]
terça-feira, 16 de julho de 2013
Eu menos 10
Dei muita bola para ela
ela não quis jogar
tiro de letra
altero o esquema tático
também sei jogar sozinho
aliás
olé!
sou quase craque
sou eu menos dez
ela não quis jogar
tiro de letra
altero o esquema tático
também sei jogar sozinho
aliás
olé!
sou quase craque
sou eu menos dez
domingo, 7 de julho de 2013
Um maldito ataque de poesia ao entardecer
Mais um pouco e já é noite
o horizonte e meu cigarro
em chamas
mais um pouco e já sou
cinza resto de luz
mais um pouco e também sou
escuridão
quinta-feira, 27 de junho de 2013
Por acaso
Se você por acaso encontrar o amor, perdido por aí, numa placa de trânsito ou prateleira de supermercado, diga-lhe que ele é um idiota.
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